Platão

Platão, o famoso filósofo grego que eu considero intemporal. Platão foi uma autêntica catapulta para o conhecimento.  O discípulo de Sócrates, é um dos mais importantes cérebros por trás da filosofia como a conhecemos actualmente. Ele é o pai da Academia de Atenas. Foi um homem incansável na busca da verdade e do conhecimento. Acreditava que só a filosofia nos pode lançar na senda da verdade e só essa verdade nos permitirá atingir o bem supremo, o qual Platão designa como “super essência”. A “Alegoria da Caverna” é a base que melhor introduz a “Teoria das Ideias” de Platão. Não há como entender Platão sem esta tónica. O principiante da filosofia é irremediavelmente lançado na análise à “Alegoria da Caverna”, presente no livro de Platão “A República”. Complicada? Não me parece, de facto até é bastante acessível, basta traduzir a coisa por miúdos e ela vai ao sítio.

Para começar, é importante saber que Platão, à semelhança de alguns filósofos antigos, acreditava na existência da alma. A alma é imortal e divina, é racional, um elemento chave no nosso corpo mortal. É esta alma que nos distingue dos demais animais, porque ela tem sede de verdade.  A sua maior capacidade é contemplar o Belo e o Bem. De acordo com o que escrevi acima, será essa ‘verdade’ que ela procura que nos conduzirá à virtude do ‘Bem’. Com Sócrates, Platão aprendeu que a filosofia é também o amor pela busca da verdade e este amor vai de encontro ao desejo da nossa alma se querer libertar.

A “Alegoria da Caverna” destaca dois mundos diferentes: o mundo sensível e o mundo inteligível. O mundo sensível (ou material), aquele em que vivemos recorrendo aos nossos cinco sentidos, era a caverna onde estavam presos aqueles que só percebiam as sombras. Ali dominava a ‘opinião’, baseada em crenças e ilusões. O que seriam as sombras? Sem saírem da caverna eles nunca saberiam ao certo, embora acreditassem tratar-se de algo em concreto, porque estavam subjugados pela crença e pela opinião pública.

O mundo inteligível (ou mundo das ideias) está fora da caverna, à luz do sol. No exterior, a luz permite ver os ‘objectos matemáticos’ que são responsáveis pelas sombras. O mundo das ideias é o mundo que nos permite aceder à verdade. São as ideias que dão forma às coisas materiais – as sombras – que acabam por ser aquilo em que acreditamos. Ao contrário do mundo sensível, não é a ‘opinião’ que tem lugar, mas sim a ‘ciência’, o conhecimento, portanto é a reflexão sobre as ideias que nos leva ao conhecimento da verdade e à consequente libertação que a nossa alma anseia.

É interessante referir também que Platão acreditava que a alma já conhecia o mundo das ideias antes de habitar no nosso corpo, por isso cada vez que conhecemos algo, na verdade estamos a ‘reconhecer’ o que já habitava dentro da nossa alma, porém foi sendo encoberto e iludido pelo mundo sensível. Por isso, para Platão é fundamental partir em busca do conhecimento, ao invés de ficarmos presos ao conformismo. O nosso bem supremo depende disso mesmo, mas tal como na Alegoria da Caverna, acabamos por perceber que a ascensão ao mundo inteligível, ao exterior, é um processo lento e complicado  para quem sempre viveu lá dentro, e que exige de nós muita resiliência.

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Autor: magonal8

Portuguesa, aldeã sonhadora. Sedenta de saber, de conhecer o mundo... Acredita que vive algures no tempo em que não está, acredita em contos de fadas até ao dia em que acordar.

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